A fissura anal

A fissura anal - Dr Fabio Atui

A fissura anal é uma doença caracterizada por uma ferida na tecido que reveste o canal anal. Elas podem atingir homens e mulheres de todas as idades, inclusive crianças.

Em geral o o paciente apresenta dor durante a evacuação que se prolonga com um ardor mesmo após o final da evacuação, pode causar sangramento vivo, que “pinga no vaso” e “suja o papel”, características típicas do sangramento orificial.

Esta doença se expressa por duas formas bem definidas, a fissura aguda e a fissura crônica.

Fissura aguda ocorre após um trauma na região, como uma evacuação muito dura por exemplo, neste caso o “corte” tende a ser superficial, com bordas finas e sem fibrose, geralmente cicatriza espontaneamente em 4 a seis semanas, desde que o trauma que a causou cesse ou diminua. entretanto se o trauma continuar ou a cicatrização não ocorrer adequadamente, a fissura aguda pode evoluir para a fissura crônica.

Na Fissura Crônica se apresenta como uma úlcera facilmente reconhecível pelo médico especialista, com fibrose e endurecimento das bordas, plicoma sentinela (pele sobressalente na margem anal), com maior tempo de evolução.

Contudo, o grande problema da fissura anal é o fato dela ser um processo de agressão cíclica. A lesão da mucosa faz com que o esfincter do ânus involuntariamente sofra um espasmo, impedindo que o mesmo relaxe. Essa contração do ânus piora a fissura, dificultado a cicatrização da ferida. O espasmo anal, associado à dor ao evacuar, agrava a prisão do ventre, fechando o ciclo:

medo de evacuar – evita ir ao banheiro – resseca e endurece as fezes – dói quando evacua – medo de evacuar

Os pacientes que entram neste ciclo vicioso costumam desenvolver fissuras anais crônicas, pois o espasmo anal prolongado, além de facilitar o trauma repetitivo, ainda causa compressão dos vasos sanguíneos que irrigam a região do ânus, provocando uma isquemia desta região.

O tratamento da fissura anal visa o controle da dor e o auxílio na rapidez da cicatrização. Nos casos de fissuras anais pequenas, a cura geralmente ocorre de modo quase que espontâneo.

O tratamento inicial pode ser caseiro, com banhos de assento com água morna três vezes ao dia, aumento da ingestão de fibras e uso de laxantes para diminuir a rigidez das fezes.

Existem algumas pomadas para fissura anal que também podem ser usadas, como por exemplo, pomadas à base de nitroglicerina ou nifedipina ajudam a dilatar os vasos anais, aumentando a passagem de sangue e oxigênio para a região da fissura, o que favorece sua cicatrização.

A nitroglicerina também ajuda a relaxar o esfíncter anal, diminuindo o esgarçamento da fissura e facilitando o ato de evacuar. Os efeitos mais comuns das aplicações de nitroglicerina podem causar dores de cabeça e tonturas.

Pomadas com anestésicos também podem ser usadas antes de cada evacuação para reduzir a dor, mas estas, sozinhas, não ajudam em nada no processo de cicatrização. Cerca de 90% das fissuras cicatrizam com as medidas citadas acima.

A fissura no ânus pode ter sintomas muito parecidos com os das hemorroidas, porém o sangramento da fissura costuma ser menor e a dor MAIS intensa. De qualquer modo, só um médico especialista, que através do exame da região anal saberá diagnosticar a causa da sua dor. Na maioria dos casos não é preciso realizar toque retal para diagnosticar uma fissura anal.

Os sintomas da fissura anal podem se sobrepor a sintomas de doenças mais graves, por isto um médico especialista deve ser consultado sempre que houver sangue nas fezes, dor ou qualquer outra alteração, ou seja, qualquer sintoma no segmento ano retal.

Fique de olho.
Saúde!

Dr Fabio Atui Cirurgia do Aparelho Digestivo e Coloproctologia

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